Assista a uma Sessão Interactiva “Animais Exóticos de Estimação” e perceba porque são os animais de estimação uma ameaça à biodiversidade, uma das maiores riquezas do nosso planeta.
Descubra como acções «tão normais» como comprar um animal de estimação podem, afectar o equilíbrio da vida na terra.
O mercado mundial de animais exóticos e selvagens, com o objectivo de satisfazer a procura, para companhia ou colecção, está em crescimento exponencial. O tráfico de animais exóticos e selvagens movimenta mais de seis mil milhões de euros todos os anos, sendo já a terceira actividade ilícita mais lucrativa do Mundo, depois do tráfico de drogas e armas.
O Badoca Safari Park recebe anualmente muitos animais exóticos, vítimas do comércio ilegal e apreendidos pelas autoridades, ou que são voluntariamente entregues pelos seus donos, conscientes de que não podem dar-lhes as condições necessárias a uma boa qualidade de vida.
Conheça nesta sessão alguns destes animais - araras, tartarugas, furões e iguanas.
Os «novos» animais de estimação são geralmente espécies selvagens ditas exóticas, adquiridas para companhia ou colecção.
«Exóticas» porque não fazem parte das populações da região onde os seus proprietários vivem.
Estes novos animais de estimação não são os cães ou os gatos que estamos habituados a ver perto de nós: são animais que vêm de ecossistemas longínquos – distantes e diferentes. São camaleões, cobras, iguanas, coelhos anões, araras, catatuas, piranhas… e muitos mais.
O desejo de possuir um animal diferente, como uma arara, uma iguana, uma tartaruga ou mesmo uma cobra tem vindo a aumentar nos últimos dez anos, por razões pouco conhecidas, sendo actualmente considerado uma “moda”.
Muitos destes animais são ilegalmente capturados, em estado selvagem, e importados. Algumas destas espécies estão ameaçadas de extinção, como é um caso de algumas araras e papagaios.
A América do Sul e a Ásia são os grandes exportadores mundiais e Portugal é um dos principais destinos. Em 2006 foram importadas 150.000 tartarugas, 10.000 iguanas e 10 milhões de peixes.
- Deixa uma «ausência» insubstituível nos ecossistemas de origem; por exemplo, nas cadeias alimentares. Aí, não só a falta de presas poderá provocar o desaparecimento dos predadores, como a falta de predadores poderá causar a multiplicação descontrolada das presas, a escassez de alimento e o desaparecimento destas.
- Pode criar impactos ecológicos negativos nos ambientes onde chega e nas espécies que aí vivem. Porque quando escapam do cativeiro, podem formar populações de espécies invasoras que competem com as espécies locais por espaço e alimento. É o que acontece com a popular tartaruga-de-faces-rosadas, oriunda da Ásia, que compete com o nosso cágado mediterrânico por alimento, levando ao declínio de peixes e anfíbios.
Trazer, de propósito ou por acaso, espécies exóticas/não-indígenas para um local diferente do seu local de origem, onde não existem outras espécies que as «controlem», no qual, por exemplo, não tenham predadores, pode revelar-se desastroso e provocar a extinção de espécies nativas.
É ainda importante referir que estes animais mesmo em cativeiro mantêm as características selvagens. As suas necessidades de atenção, alimentação, instalações adequadas e cuidados médicos específicos exigem muita dedicação e dinheiro. Alguns destes animais têm uma vida longa. Certas espécies de tartarugas, podem viver 100 anos e as araras cerca de 70 anos. Por estas razões é frequente que os seus “donos” percam o entusiamo inicial, que motivou a sua aquisição e que os abadonem, com as consequências já referidas anteriormente.
Por isso, as pessoas que desejam ter um animal de companhia deverão optar pelos tradicionais animais domésticos. Se ainda assim o desejo de ter um animal exótico se é muito importante que seja uma posse “responsável”. Deverão procurar criadores credenciados, exigindo a documentação necessária que comprove a legalidade de todo o processo. Não deverão nunca optar por um animal que se encontre em vias de extinção.
A CITES, é a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens ameaçadas de extinção que, tem como objectivo a regulação eficaz do comércio internacional de espécies selvagens de forma a assegurar a sua conservação e o seu uso sustentável.
Estabelece um conjunto de leis e mecanismos de procedimentos internacionais para prevenir o comércio internacional de espécies ameaçadas e regular o comércio das restantes espécies.
Um dos grandes objectivos da CITES é proteger as especies ameaçadas de extinção que poderiam ser afectadas pelo seu comércio.
Se está consciente de todos os cuidados que uma espécie exótica necessita e quer seguir em frente com a aquisição de um animal, compre-o apenas se a loja ou o criador apresentar o seu certificado CITES.
Sem o certificado CITES é ilegal o comércio, exposição e transporte de qualquer espécie.
Se a loja o não apresentar, denuncie o caso às autoridades – poderá estar a fazer um favor a milhões de animais, vítimas de comércio ilegal.
O Certificado CITES é um documento emitido pela CITES, a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção.
Este acordo internacional, entre governos de 171 países, tem como objectivo final a regulação eficaz do comércio internacional de espécies selvagens, de forma a assegurar a sua conservação e o seu uso sustentável.
As leis e mecanismos internacionais da CITES protegem as espécies ameaçadas de extinção que poderiam ser afectadas pelo seu comércio descontrolado e regulam o comércio das restantes espécies afectadas pelo seu comércio descontrolado.
Seja um(a) dono(a) responsável. Antes de adquirir um animal:
- pesquise para saber se a espécie em questão é ou não uma espécie que não é legal manter em cativeiro;
- saiba quais são as suas necessidades básicas: alimento, espaço vital, temperatura, luminosidade;
- descubra quais os seus hábitos: se é um animal gregário (que fica deprimido se não viver em grupo) ou solitário; se acasala para a toda a vida ou se só «fica feliz» se tiver várias «namoradas»;
- saiba quais as doenças/problemas que mais frequentemente afligem a espécie em questão;
- Não adquira nem receba como oferta objectos feitos de materiais que são objecto de tráfico. Falamos de: marfim, madeiras exóticas, medicamentos feitos com espécies em risco, peles e/ou outras partes de animais.
E se, na posse de toda a informação, concluir que não tem condições para dar bem-estar a um animal: Não o mantenha em sua casa.
Muitas pessoas adquirem (frequentemente sem verificar a sua origem) papagaios e catatuas atraídos pela sua beleza.
Mas estes animais podem ser muito barulhentos. Além disso, espalham alimento, sujando o espaço onde estão. E, se colocados numa gaiola, podem ser agressivos.
Por outro lado, estas aves tendem a criar uma relação forte com uma pessoa em particular, tornando-se agressivos com as restantes.
Além disso, aves como as araras podem viver até 90 anos – está preparado(a)?