Madagáscar

Um hotspot de conservação
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Ameaças à Biodiversidade da Ilha



Incêndio
Copyright by Heinz Vetter

Madagáscar é em termos económicos um país empobrecido encontrando-se presentemente a desenvolver grandes esforços, através do governo do Presidente Marc Ravalamanana, para melhorar os níveis de vida da população. Actualmente a sua população ascende a 17 milhões de habitantes com uma taxa de crescimento anual de aproximadamente 3,03%. Metade da população tem menos de 15 anos, com uma média de idade de 17,4 anos. A taxa de natalidade é de 41,9 nascimentos por cada 1000 habitantes com uma taxa de mortalidade infantil de 78,5 por cada 1000 nascimentos. O analfabetismo atinge 45% da população e em média cada mulher tem 6,6 filhos.


Madagáscar é um país muito recente. A agricultura, especialmente a de pequena escala (arroz, café, baunilha e especiarias) é o principal meio de sustento de cerca de 70% da população provocando uma extrema pressão sobre a terra arável.



Figura 1 - Zebu
Copyright by Dr. Robert Zingg Zurich Zoo

Madagáscar é o maior consumidor per capita de arroz. Para o produzir é necessário desflorestar grandes áreas.


No Sul da ilha predomina a criação animal e o zebu, espécie de boi (Fig. 1 e 2), auxilia o Homem na produção do arroz, arando a terra e preparando os solos para receber esta planta. São também desflorestadas áreas de grandes dimensões para a criação deste gado. Os habitats naturais são então destruídos dando lugar a uma vegetação pouco rica, com baixo teor de nutrientes, menos úteis para as espécies malgaxes.


É também no sul que a maior parte das florestas são destruídas para produzir carvão, uma vez que a maior parte dos Malgaxes ainda utilizam este combustível para cozinhar.


Estima-se que 90% da floresta original de Madagáscar tenha sido destruída pelo Homem, para extracção de madeira, para servir de combustível e para criação de áreas de cultivo.



Figura 2 - Gado Zebu
Copyright Dr. Martin Bauert Zurich Zoo

Na “Eastern Rainforest” 111.000 ha perderam-se anualmente entre os anos 1950-1985, o que representa um declínio de 50% em 35 anos. Actualmente estima-se que a “Eastern Rainforest” cubra não mais de 34% da sua extensão original. Por seu lado a “Dry Deciduous Forest” encontra-se em declínio a uma taxa ainda maior. Inevitavelmente, com o desaparecimento das florestas e de habitats únicos, também as espécies que deles dependem serão conduzidas à extinção.


Enquanto algumas espécies que foram introduzidas conseguem desenvolver-se e conviver com o Homem, a fauna endémica encontra-se em grande risco.



Comércio ilegal de madeira exótica em Masoala
Copyright Roger Graf Zurich Zoo

Muitas espécies estão inteiramente dependentes de áreas florestadas, e caso estas desapareçam, enfrentarão muitos problemas para sobreviver. Embora em algumas áreas de Madagáscar a caça de certas espécies seja proibida pelas tribos locais, muitas espécies ameaçadas continuam a ser caçadas.


Deve ser enfatizado que muitas das ameaças à biodiversidade de Madagáscar são resultado da pobreza das populações. Os Malgaxes são um povo orgulhoso da sua ilha e cultura mas frequentemente as opções que têm ao seu dispor são limitadas, pelo que as suas práticas agrícolas e de caça contribuem para esta situação.


Apesar de tudo Madagáscar é uma ilha paraíso.